A PIANISTA
Elfriede Jelinek


Novo selo literário lança a polêmica Nobel de 2004,
até agora inédita no Brasil


O LIVRO

 O selo Tordesilhas disponibiliza, pela primeira vez para o público brasileiro, uma obra da Nobel de Literatura de 2004, a austríaca Elfriede Jelinek. Publicado em 1983, o romance A pianista foi um gerador instantâneo de polêmicas, sobretudo pela forma direta pela qual expõe as perversões sexuais da protagonista e sua conturbada relação com a mãe. Além disso, foi sentido como um soco no estômago pela moral da classe média austríaca, um triste prenúncio dos escândalos que temos acompanhado ultimamente, como entende o apurado posfácio de Marcelo Backes.

 A escrita envolvente de Jelinek, com seu ritmo e idiossincrasia próprios, transportados com maestria ao português por Luis S. Krausz, narra em ordem não linear a história de Erika Kohut, concertista frustrada que se limita a dar aulas de piano no Conservatório de Viena. Aos 36 anos, Erika ainda mora na casa da mãe, com quem divide a mesma cama. A relação das duas é, ao mesmo tempo, de dependência e ódio.

Em uma das primeiras passagens do romance, vemos uma luta que transcende o jogo de nervos e se torna física; por fim, Erika arranca um tufo dos cabelos da mãe. No transcorrer do romance, surge entre as duas o pior pesadelo para a mãe: um homem que se apaixona pela filha, Walter Klemmer, estudante de música. A devoção de Klemmer é manipulada por Erika, que faz dessa paixão uma neurótica relação masoquista – registrada numa carta em que a pianista pede para ser torturada pelo jovem –, enquanto deflagra uma guerra doméstica contra a mãe.

O volume é enriquecido pelo posfácio de Marcelo Backes e por detalhada cronologia, baseada em informações fornecidas pela Universidade de Viena. Diante do atual cenário, no qual a esmagadora maioria do conteúdo sobre a autora se encontra em alemão e inglês, a cronologia é fonte confiável que contribui para o crescimento da documentação sobre a autora no Brasil.

As descrições precisas deste ambiente perturbado e claustrofóbico atraíram o cineasta Michael Haneke, que adaptou a obra às telas em 2001 sob o título La pianiste (exibido no Brasil como A professora de piano), vencedor de três dos principais prêmios do Festival de Cannes.

A CRÍTICA

“Maravilhoso! Incrível! Prodigioso!” – Peter Handke, escritor austríaco, autor do romance O céu sobre Berlim, sobre a entrega do Nobel a Jelinek
“Os textos de Jelinek são um evento lingüístico.” – Christina Weiss, ministra da cultura da Alemanha, em 2004
“Um estilo completamente obstinado” – Alfred Fest, editor da alemã Rowholt
“Estou extraordinariamente satisfeito” – Marcel Reich-Ranicki, crítico literário alemão, sobre o Nobel
“Elfriede Jelinek: a subversão premiada em Estocolmo” – Libération, sobre o Nobel
"Ao interpretar A professora de piano, abordei com maior intimidade o universo de Elfriede Jelinek e tentei, junto com Michael Haneke [diretor do filme], entendê-lo [o universo] e entendê-la [Jelinek]. É difícil; ele se manifesta por um suplício físico, mas também mental. Mesmo assim, além do que é perceptível de brutalidade, de provocação - e não há sequer a menor perversão, ao contrário do que alguns crêem sentir, não há nada de perverso no mundo de Jelinek - é uma humanidade profunda que se encontra. Ela explora a psique feminina; ela é moderna, mas é um grande escritor clássico.” – Isabelle Huppert, atriz francesa, sobre o filme inspirado em A pianista
A pianista finalmente recebe uma versão brasileira, em excelente tradução de Luis S. Krausz. [...] O tempo serviu para consolidar a permanência da obra e de sua autora.” – Luis Antonio Giron, Época

A AUTORA

Elfriede Jelinek, nascida em 20 de outubro de 1946, tem causado polêmica em sua Áustria natal há mais de três décadas, especialmente pelo caráter direto com o qual aborda as questões familiares e temas relativos ao sexo, por oposição aberta ao Partido da Liberdade (extrema direita) e denúncias quanto ao papel desempenhado pela Áustria na política nazista. Dentre seus vários prêmios, destacam-se o Prêmio Nobel de Literatura (2004), três vezes o Mülheimer Dramatistis (2002, 2004, 2009), do qual é recordista, e o Henrich Böll (1986), do qual foi a primeira mulher vencedora.

FICHA TÉCNICA


Título: A pianista
Autora: Elfriede Jelinek
Tradução: Luis S. Krausz
Posfácio: Marcelo Backes
Texto de orelha: Ricardo Lísias
Editora: Tordesilhas
Gênero: Romance
Capa e projeto gráfico: Kiko Farkas e Thiago Lacaz
Preço: R$ 49,50
Número de páginas: 336
ISBN: 978-85-64406-05-6



Fonte: Assessoria de imprensa Parceria 6

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