Aleijadinho, Mestre Valentim e padre José Maurício são biografados em “obra de arte” de Rui de Oliveira


Em Três Anjos Mulatos do Brasil (Editora FTD), Rui de Oliveira, um dos mais premiadosescritores e ilustradores da atualidade, biografa os escultores Aleijadinho e Mestre Valentim e o compositor e músico padre José Maurício, gênios das artes e ícones da cultura nacional.


Premiado como melhor livro informativo de 2011 pela FNLIJ (Feira Nacional do Livro Infantojuvenil), a publicação editada pela FTD também é uma obra de arte. Otexto saboroso e rico e as belíssimas ilustrações de Rui de Oliveira mesclam-se numa perfeita harmonia de ritmo, forma e conteúdo, contando de maneira lúdica e instigante a vida de Aleijadinho, Mestre Valentim e padre José Maurício. O autor utiliza-se de toda a riqueza de detalhes do século XVIII para relatar a trajetória e o trabalho de três dos maiores artistas brasileiros, que brilharam numa época em que o País ainda era colônia, não tinha expressão do ponto de vista cultural e buscava afirmação como nação.


A partir de uma extensa pesquisa e leitura de fatos e figuras históricas, Rui de Oliveira mostra a grandeza de três homens que são referências de nossa cultura e que tinham como traço comum, a genialidade e o fato de serem mulatos, anjos mulatos!


Padre José Maurício, considerado o mais importante músico do período colonial, compôs mais de quatrocentas músicas, algumas consideradas obras-primas, entre peças sinfônicas, aberturas, óperas, hinos e outros gêneros. Mestre Valentim, um dos maiores artistas desse período, tem vastas obras, que abrangem escultura, entalhe, cinzelagem, ourivesaria, paisagismo, arquitetura, urbanismo e desenho. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é simplesmente o maior escultor do Barroco brasileiro. Também arquiteto e entalhador, deixou uma obra de extraordinária riqueza.


Um trabalho meticuloso


O livro, em seu final, tem um interessante apêndice sobre as pesquisas e estudos feitos por Rui de Oliveira para desenvolver as ilustrações. Ele mostrou o material à editora, que considerou importante selecionar e agregar algumas peças à obra, conferindo-lhe um valor didático quanto à ilustração. São desenhos importantes para demonstrar o valor, a seriedade e a riqueza do trabalho, considerado pelo autor como um dos mais importantes de sua carreira.


Alguns exemplos de estudos realizados por Rui durante a elaboração das reproduções que ilustram a obra podem ser observados nas páginas:

· 20-21 (cena que mostra Aleijadinho trabalhando com Mestre Ataíde na Igreja São Francisco, em Ouro Preto: já que não existe imagem determinada do escultor, Rui teve que se inspirar em uma série de desenhos de mulatos, na busca do que era mais característico na época;

· 22-23 (cena em que Joana Lopez empunha um terço): o ilustrador teve que estudar a reza que a nora de Aleijadinho realiza para desenhar corretamente o episódio;

· 32-33 (cena de Mestre Valentim trabalhando com cinzel e martelo): na intenção de procurar ao máximo a expressividade das mãos, Rui teve que estudar à fundo para captar a força do trabalho do escultor e passá-la para a pintura;

· 50-51 (cena final): para compor alguns traços do ambiente em redor de um piano, ele pesquisou gravuras de pintores que da época que retrataram grandes pianistas como Wolfgang, Amadeus Mozart e Franz Liszt.


Como o próprio autor diz, “em meu trabalho, sempre almejo que a interpretação que tenho do texto não seja a única. Procuro, sempre que possível, criar portas – verdadeiras passagens secretas para que as pessoas tenham as suas próprias e particulares visões. Preocupa-me, portanto, não condicionar em demasia o leitor. Penso que o ato de criação de imagens se origina não diretamente napalavra, mas no entre-palavras. Daí vem minha preocupação em criar para cada texto uma imagem adequada, que muitas vezes está de acordo, ou não, com meus gostos pessoais, ou com a minha visão de arte”, finaliza.


Outro diferencial do livro, é o prefácio intitulado por Rui de Oliveira como: A imagem histórica e cultural de um país. Nesta parte do livro, o autor consegue sintetizar em três páginas todo percurso que teve que percorrer para conseguir transferir para o papel as imagens e palavras da época, uma vez que, o Brasil não tem tradição de ilustração histórica e documental.


Sobre o autor e ilustrador

Rui de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro. Estudou pintura, artes gráficas, ilustração e cinema de animação. É doutor em Artes Visuais pela ECA/USP e foi diretor de Arte da TV Globo e da TV Educativa. É professor da Escola de Belas Artes daUFRJ há mais de27 anos. Ilustrou mais de cem livros e projetou cerca de quatrocentas capas. Recebeu quatro Prêmios Jabuti de Ilustração e foi indicado pela FNLIJ ao Prêmio Hans Christian Andersen, na categoria ilustração, em 2006 e 2008. Rui de Oliveira dedica este belíssimo livro, que considera um de seus mais importantes trabalhos, ao avô, português, e à avó, negra e filha de africanos.



Ficha técnica:
Autora e ilustrador: Rui de Oliveira
Páginas: 56

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