O Plano B do Outubro Rosa:

 é preciso abordar o estágio avançado da doença

 

Escritora que convive há 9 anos com diagnóstico e já realizou mais de 120 

quimioterapias afirma: "Câncer de mama metastático é um tabu que gera sofrimento"

Chegou o mês de outubro e, junto com ele, as luzes cor-de-rosa iluminando os monumentos para lembrar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Embora atualmente ganhe ares glamourosos a verdade é que o Brasil ainda está bem longe de oferecer às mulheres condições mínimas de diagnóstico e acesso ao tratamento. Segundo pesquisas, apenas 23% dos diagnósticos de câncer de mama no SUS são realizados precocemente e cerca de 47% já descobrem a doença em estágio avançado. Mesmo na saúde privada, ainda que a doença seja diagnosticada de maneira precoce, cerca de 30% das pacientes terão metástase ao longo dos anos. Dados assustadores, pouco debatidos e raramente representados nas campanhas dedicadas ao mês rosa.

A escritora Ana Michelle Soares trata o câncer de mama de maneira contínua desde 2011 e conta que já possui no “currículo” mais de 120 quimioterapias, 2 mil comprimidos de terapias oncológicas orais, 6 cirurgias, dezenas de radioterapias e centenas de exames realizados no decorrer de 9 anos de tratamento. “Nem sempre a cura é possível. Mas a sociedade pouco aborda essa questão. Os pacientes metastáticos são seres invisíveis pois o único cenário digno de celebração é a cura. É um paradoxo. Dizemos nos importar com o sofrimento das pessoas, porém não olhamos para elas quando mais precisam de apoio”, desabafa.

Ana tornou-se conhecida por seu ativismo em prol dos Cuidados Paliativos, abordagem médica que visa um suporte integral ao paciente com doenças graves que ameaçam a continuidade da vida. Entre entrevistas, aulas em Congressos Médicos, Faculdades de Medicina e postagens repletas de reflexões e humor ácido no instagram @paliativas, a escritora coordena o projeto Casa Paliativa ao lado da médica e também escritora, Ana Cláudia Quintana Arantes. “Todo meu trabalho é dedicado a inspirar pacientes a assumirem o protagonismo de suas próprias vidas. Não somos estatísticas ou um paciente sem nome do final do corredor. Muitas vezes, o olhar displicente vem até dos profissionais da área de saúde. A obsessão da cura gera muito sofrimento e abandono. É preciso falarmos sobre isso para mudar essa realidade”, afirma Soares.

Infelizmente ainda são poucas as ações e campanhas durante o mês de outubro que se dedicam a falar sobre o estágio avançado da doença. Existe muito medo, preconceito e dificuldade das pessoas em lidar com esses temas, endossando ainda mais o tabu em torno do câncer de mama metastático. “Podemos ser melhores que isso. Vencer não é só eliminar uma doença, é viver apesar dela”, finaliza a escritora.

 

Sobre Ana Michelle Soares

AnaMi, como gosta de ser chamada, é jornalista de formação e paliativista de coração. Paciente de câncer de mama em tratamento contínuo desde 2011, AnaMi é autora do livro “Enquanto eu respirar”, publicado pela editora Sextante no final de 2019, que conta a trajetória de ressignificação do diagnóstico e o que chama de “cura da alma”. O livro está à venda nas principais livrarias do país e plataformas online.

Também mantém o perfil @paliativas no Instagram, onde desmistifica o conceito de “cuidados paliativos”, transformando a finitude na mais importante ferramenta de autoconhecimento que existe. Acredita que legado é crescer como ser humano e entre uma quimioterapia e outra, coordena o projeto “Casa Paliativa” que auxilia pacientes com doenças graves e incuráveis a encontrarem seu espaço de legado, vida, sagrado e dignidade.

 

Livro “Enquanto eu respirar”
Preço: 39,90 / 24,99 (e-book)
Páginas: 240
Formato:14x21 cm

Fonte: assessoria de imprensa. 

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