Quem tem medo de papangu?


Pelas ruas, becos e praças, os papangus surgem na época do carnaval para assustar e, ao mesmo tempo, divertir a molecada travessa de algumas cidades do Nordeste brasileiro. Trajados de sacos e trapos, com o rosto pintado ou utilizando máscaras, portando chicotes, cornetas, penicos ou guarda-chuvas quebrados, eles são personagens típicos do folclore nordestino. O nome “Papangu”, por sua vez, vem do antigo costume de abordarem as pessoas pedindo “um prato de angu”.

Na obra Quem tem medo de papangu?, da jornalista potiguar, radicada em São Paulo, Goimar Dantas, ilustrado por Cláudia Cascarelli, com edição e publicação da Cortez Editora, a autora – neta e sobrinha de papangus – faz um resgate afetivo de suas memórias de infância. Mais precisamente de quando descobriu ser seu avô o papangu da pequena cidade de Japi, no sertão do Rio Grande do Norte.  Ao mesmo tempo, o livro traz informações sobre o surgimento, desaparecimento e posterior resgate da figura desses curiosos personagens surgidos no Recife, ainda no século XIX com intuito de organizar as procissões católicas de Cinzas e, com seu chicote estalando no ar, disciplinar a garotada que, eventualmente, estivesse atrapalhando o andamento das cerimônias religiosas.

Anos depois, os papangus foram banidos desses eventos, uma vez que muitos viam nessas figuras um quê de morte e tirania. O tempo passou e diversas cidades voltaram a dar espaço aos papangus, que reapareceram como brincantes carnavalescos, completamente dissociados das procissões. Hoje, com máscaras e vestimentas cada vez mais bonitas e elaboradas, eles existem em profusão no município pernambucano de Bezerros, onde são as principais estrelas do carnaval. Por outro lado, em cidades como Japi (RN), onde ainda vive boa parte da família materna da autora, os papangus prosseguem utilizando indumentárias e acessórios rústicos. Lá, a alegria da garotada que corre pelas ruas e praças atazanando os papangus ainda é instigada pelo improviso, pelas palhaçadas e mímicas engendradas por esses carnavalescos, que, ali, se comportam como misto de palhaço e bicho-papão, atraindo a curiosidade das crianças.

Embora a atuação resistente de alguns papangus seja símbolo da força das festas e tradições da cultura popular nordestina, é possível enxergar nestes mascarados certa sintonia com as principais características da Commédia Dell’arte, surgida na Itália em meados do século XIX. Fundamentada na arte do improviso, era também conhecida como Comédia de Improviso, Comédia de Tema ou Comédia das Máscaras – neste caso específico, marcada pela preocupação e cuidado na escolha do vestuário. A ação desses artistas influenciou de maneira profunda o processo de criação, o trabalho e a produção de profissionais da arte de todo o mundo – o que, possivelmente, teve seus reflexos na criação dos papangus brincantes.

Narrado em versos, outra típica tradição das histórias nordestinas, que têm no Cordel um de seus maiores símbolos, essa obra é uma oportunidade para que crianças de todo o Brasil conheçam um pouco mais sobre os misteriosos e divertidos papangus.

Ficha Técnica:
Título: Quem tem medo do Papangu?
Autora: Goimar Dantas
Ilustradora: Claudia Cascarelli
Editora: Cortez Editora
Nº de páginas: 32
Preço de referência: R$ 23,00

fonte: Assessoria de Imprensa MGA Comunicações

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