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 Especial Bienal do Livro 2026

Escritor cearense Rafael Caneca realiza sessão de autógrafos de “Não volte sem ele”

Romance de estreia revisita os campos de concentração erguidos no Ceará durante a seca de 1932 e aborda memória, violência de Estado e políticas de exclusão



O escritor cearense Rafael Caneca participa da Bienal do Livro de São Paulo em uma sessão de autógrafos de “Não volte sem ele”, seu romance de estreia, publicado pela Editora Patuá. O encontro acontece no dia 6 de setembro, às 11h, no estande da editora (K45), e marca a oportunidade de o público conhecer de perto uma obra que recupera um dos episódios mais silenciados da história brasileira: a criação dos chamados “campos de concentração” no Ceará durante a seca de 1932.  Fruto de cerca de dois anos de pesquisa histórica, “Não volte sem ele” acompanha Tomás, um jovem sertanejo que parte em busca do irmão desaparecido, em uma travessia marcada pela fome, pelo deslocamento forçado e pelo confinamento. Ao transformar a investigação histórica em ficção, Caneca articula temas como memória e apagamento, violência de Estado, política de exclusão, fé e sobrevivência.

Fruto de cerca de dois anos de pesquisa histórica, o livro acompanha a trajetória de Tomás, um jovem sertanejo que parte em busca do irmão desaparecido, em uma travessia marcada pela fome, pelo deslocamento forçado e pelo confinamento. Ao transformar investigação histórica em ficção, Caneca articula temas como memória e apagamento, violência de Estado, política de exclusão, fé e sobrevivência. Ao tensionar esses elementos, o romance questiona a ideia de que a esperança sustenta a travessia.

“Minha intenção é apenas contar uma história”, afirma o autor. “Mas é inevitável que o livro carregue algo muito pessoal: minha percepção de que muita gente se agarra à fé e à esperança como ferramentas para enfrentar tragédias. [...] Para mim, isso nunca foi suficiente. Fé e esperança, sozinhas, não impedem tragédias nem desfazem violências.”

Essa perspectiva se reflete também na forma. A narrativa é predominantemente linear, com inserções de memória e episódios de delírio que aprofundam a experiência do protagonista, evitando tanto a fragmentação quanto a estrutura clássica da jornada de superação. “Optei por evitar a tradicional ‘jornada do herói’ e por um estilo mais direto, sem floreios nem grandes digressões”, explica. “A crítica social aparece às vezes escancarada, às vezes só sugerida.”

O romance nasce de um conto inicial desenvolvido no Coletivo Delirantes e se expande para uma narrativa de maior fôlego, marcada pelo interesse em recuperar uma história ainda pouco debatida. “Resgato essa história como um reforço à memória e um lembrete para que ela nunca mais se repita”, afirma.

Influenciado por Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago, Caneca dialoga com a tradição do romance social brasileiro ao mesmo tempo em que desloca seu foco para uma dimensão mais íntima da tragédia, em que não há promessa de reorganização ou consolo.


Sobre o autor

Rafael Caneca, 40 anos, é escritor nascido e residente em Fortaleza. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Direito Internacional pela Universidade de Fortaleza, atua como assessor jurídico no Ministério Público do Estado do Ceará. Escreve desde a infância e teve seu primeiro conto publicado aos 14 anos. É vencedor do Prêmio de Literatura BNB Clube (2017) e recebeu menções honrosas em concursos do Ideal Clube. Integra o Coletivo Delirantes e mantém o perfil Pacote de Textos. Influenciado por Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago, estreia no romance com “Não volte sem ele”.



SERVIÇO

Sessão de autógrafos – Rafael Caneca

Livro: “Não volte sem ele”

Data: 6 de setembro de 2026

Horário: 11h

Local: Estande da Editora Patuá – K45

Evento: Bienal do Livro de São Paulo